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Síndrome da Boca Ardente: o que saber sobre essa doença crônica

Tempo de leitura 6 min

A Síndrome da Boca Ardente (SBA) é um tipo de doença que nem sempre é fácil de identificar e de tratar. Por um lado, seu diagnóstico depende da exclusão de outras possibilidades. Por outro, conta com múltiplas causas. Dessa forma, a definição de seu tratamento é algo que varia de pessoa para pessoa.

Em muitos casos, os profissionais de saúde precisam coletar diversas informações para chegar a uma melhor solução. Mas, ainda que o caminho seja complexo, buscar ajuda logo que os sintomas surgem evita complicações.

Entenda, ponto a ponto desse mal a seguir!

Síndrome da Boca Ardente é uma doença crônica

A Síndrome da Boca Ardente é uma doença crônica. Ou seja, aquela que se instala gradualmente, mas permanece por um tempo tão longo quanto incerto. Geralmente, surge sem causa aparente, uma vez que é difícil identificar sua origem. No entanto, pode estar associada a problemas bucais ou outras enfermidades.

Suas características incluem sensibilidade, ardência e dor em toda a mucosa da boca — língua, gengivas, parte interna das bochechas, céu da boca e lábios —, em frequência constante, crescente ou intercalada com períodos sem o incômodo ao longo do dia.

Mulheres são mais atingidas

Não há dados sobre a prevalência da SBA no Brasil que estejam disponíveis em fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde. Já as pesquisas acadêmicas pelo mundo não geram resultados consistentes para se ter um intervalo de incidência preciso, principalmente porque seu diagnóstico não é fácil.

Ainda assim, sabe-se que as mulheres são as mais atingidas. Porém, não significa que os homens estejam imunes, apenas quer dizer que a questão hormonal é um fator. Outro ponto que corrobora isso é a idade, uma vez que é mais comum após a menopausa, essencialmente a partir dos 40 anos, culminando na faixa entre 55 a 60.

Causas variadas e múltiplas

Se a questão hormonal é um fator que está associado ao desenvolvimento da Síndrome da Boca Ardente, ele não é o único. Suas causas são variadas e múltiplas, abrangendo elementos físicos ou psicológicos.

Além de desequilíbrios hormonais, principalmente associados à menopausa, condições emocionais — depressão, estresse e ansiedade, por exemplo — são comumente encontradas em pessoas com SBA. Já males localizados incluem:

  • doenças neurológicas ou autoimunes que afetam as terminações nervosas na boca;
  • alterações na salivação;
  • próteses odontológicas mal ajustadas;
  • traumas ou infecções na área;
  • comportamentos repetitivos que causam irritação;
  • refluxo gástrico e candidíase oral;
  • efeitos colaterais de tratamentos oncológicos na região da cabeça ou pescoço.

Ainda, reações alérgicas aos materiais usados em procedimentos dentários, a medicamentos e, até mesmo, a alimentos podem levar ao seu surgimento. Outros quadros relacionados são carência nutricional, diabete e hipotireoidismo.

Identificar os sintomas é o primeiro passo

As sensações de ardência, queimação, formigamento ou dormência, são a principal queixa de quem está com Síndrome da Boca Ardente em fase inicial. Via de regra, quando chega, a dor é prolongada, durando meses, mas não apresenta alta intensidade. Elas podem ser sentidas só na língua ou já estar espalhadas por toda a boca.

Secura ou falta de saliva também são comuns, fazendo a sede aumentar. Além disso, a falta de lesões é uma característica importante. Em algumas pessoas o paladar é afetado, gerando a percepção de um sabor amargo ou metálico e a perda do apetite. Todo o quadro melhora ou piora de acordo com a alimentação, sendo que itens refrescantes o atenuam.

O diagnóstico da Síndrome da Boca Ardente é de exclusão

Muitas vezes, ao procurar um profissional de saúde para resolver esse problema, que parece ser simples, descobre-se que o processo de diagnóstico é mais complexo do que esperado. 

Isso ocorre porque não há uma forma específica de saber se os sintomas são de fato da Síndrome da Boca Ardente ou de outra enfermidade. Assim, o que se faz é excluir as demais possibilidades. Para esse fim, são realizados uma série de exames.

A começar pela visualização da mucosa oral em busca de causas físicas, como lesões, manchas, erupções cutâneas ou irritações, e entender se a sensibilidade dos nervos foi afetada. Dentistas, otorrinolaringologistas e clínicos são responsáveis por essa etapa.

A seguir, estão as análises laboratoriais, que incluem: saliva, sangue e biópsias. Nelas são medidos índices tanto hormonais quanto nutricionais, realizadas verificações de doenças que possam explicar o quadro e testes de alergias.

Graus e complicações de não tratar

Em seu grau primário, a Síndrome da Boca Ardente está se instalando e evoluindo de um formigamento que se torna doloroso com o passar do tempo. Seu quadro é bastante misterioso, já que não há explicações para o surgimento. No entanto, em nível secundário ocorre devido a outras doenças.

Como inicialmente representa um incômodo, somente ganhando a atenção quando a dor aumenta, é comum supor que a demora em buscar tratamento não apresenta riscos. Entretanto, isso é um engano.

O desconforto afeta a rotina de sono, alimentar e de higiene bucal, podendo levar ao desenvolvimento de enfermidades por falta de descanso e de nutrientes ou pela permanência de resíduos entre os dentes. Anemias, cáries e periodontites são exemplos.

O tratamento depende do quadro individual

O tratamento da SDA nem sempre é fácil de estabelecer, à medida que ele está diretamente relacionado a suas causas e ao grau em que se encontra a doença. Todavia, o primeiro passo é tratar seus sintomas para aliviar o desconforto.

Medicamentos tópicos ou orais com fins analgésicos e anti-inflamatórios, assim como bebidas geladas são aplicados. Além disso, laserterapia, reposição de saliva, exclusão de alimentos ácidos, quentes ou picantes que ampliam os sintomas e mudanças de hábitos, como parar de fumar, auxiliam nisso.

Em relação aos males secundários associados, é preciso perceber que a definição do que fazer depende do quadro individual. Entre as técnicas implementadas estão:

  • terapia e remédios psicotrópicos;
  • antibióticos;
  • fármacos neuropáticos e procedimentos locais nos nervos afetados;
  • suplementos, reposição hormonal e antioxidantes;
  • substituição de causadores de alergia medicamentosos ou alimentares;
  • ajuste ou troca de prótese dentária.

A Síndrome da Boca Ardente é uma doença complexa, desde a sua identificação até seu tratamento. Por isso, é fundamental que ao surgirem os sintomas, procure-se um profissional de saúde. Essa medida deve ser adotada mesmo por quem está fora do perfil mais atingido ou quando não há um elemento causador envolvido, a fim de evitar complicações.

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